A Polícia Civil prendeu na sexta-feira, dia 18 deste mês, uma mulher que confessou ter assassinado Bob Dylan dos Santos Nascimento, de 30 anos, com facada no peito. O crime aconteceu na Travessa Nestor de Castro, centro de Curitiba, em 13 de agosto, por volta de uma hora da madrugada. A facada atingiu o coração da vítima. A mulher, de 25 anos, foi detida nas proximidades do Largo da Ordem, região em que ocorreu o homicídio. A mulher prestou depoimento acompanhada de advogadas e confessou o crime. Ela contou que ficou com ciúmes de sua companheira que teria sido assediada pela vítima. Depois disso ela e Bob Dylan tiveram discussão, entraram em luta corporal.

Dylan teria levado a pior, ocasião em que teria dito: “Eu não vou apanhar de mulher. Isso não vai ficar assim. Eu vou me vingar”. A mulher então se afastou, arrumou uma faca que ocultou nas costas e voltou para discutir com Bob Dylan. Ele não percebeu a arma branca com a mulher. E na segunda discussão ela desferiu um golpe certeiro e fatal no peito dele. Dylan morreu no local. Ele era conhecido na região central da cidade por viver nas proximidades do Largo da Ordem. Segundo a homicida, ele atuava como traficante na área. A mulher teve prisão temporária e vai responder por homicídio qualificado.

Este crime recorda uma história da série Crimes de Paixão da Tribuna do Paraná, publicada no primeiro semestre de 2012. O título da reportagem era “Bob Dylan morreu no Tanguá”. Existem semelhanças entre os dois casos. Aquela morte também teve motivação passional e Dylan, que tinha vinte e dois anos, morreu com facadas no peito por volta das cinco horas do dia 16 de maio, também de madrugada. Neste caso, Dylan queria voltar com a ex-mulher, mãe de um filho seu, que morava nos fundos da casa de um avô de sessenta anos. O velho já havia entrado em luta com Bob Dylan. Na última vez, o jovem morreu.

No entanto, o Bob Dylan da história do Tanguá, na realidade se chamava John Lennon. A troca de nomes ocorreu porque na hora de publicar a série de dezoito histórias, o jornal decidiu mudar os nomes dos envolvidos para não prejudicá-los socialmente, uma vez que muitos que foram presos estavam recuperados socialmente. Como uma das razões do interesse pela história de John Lennon era o nome famoso, não fazia sentido mudar para um nome desconhecido. E, por isso, optou-se por Bob Dylan. A opção foi feito por ser um nome raro na crônica policial. Sempre acontecia de pessoas com nomes de artistas serem presas. Os principais eram John Lennon, Elvis Presley e Alain Delon. No mês de agosto apareceu Bob Dylan. Que teve um desfecho muito parecido com a morte de John Lennon. De Curitiba, claro. Se o Lennon do Tanguá estivesse vivo estaria com a mesma idade do Bob Dylan do Largo da Ordem. Trinta anos.

 

Written by edilsonpereira