A maioria de meus livros de ficção se relaciona com meu trabalho de jornalista nos últimos de meus quarenta anos de profissão. Em especial depois de fevereiro de 2011 quando o jornal em que trabalhei por mais de dez anos, O Estado do Paraná, fechou e continuei na empresa que o editava como repórter especial da Tribuna do Paraná, tradicional jornal popular de Curitiba com ênfase na reportagem esportiva e policial. No entanto, esta simbiose começou bem antes nas páginas de O Diário do Norte do Paraná, em 2006, o mesmo jornal em que me iniciei na profissão, em 1975.

Foi lá a convite do editor de cultura Marcelo Bulgarelli que tive por alguns anos a coluna de crônicas Fahrenheit. Escrevi mais de cem crônicas para a seção. A certa altura achei que poderia escrever um romance publicando um capítulo e guardando dois na gaveta para evitar apropriação indébita, que já ocorrera algumas vezes com material que produzi para jornais. Assim escrevi o romance A Garota da Cidade, o primeiro de uma trilogia. Portanto, em 2008, quando a Tribuna quis criar uma seção de folhetins, eu tinha experiência em publicar em jornal uma história em capítulos.

Por motivos que neste momento não tem relevância realçar, os folhetins da Tribuna começaram a ser publicados em 2010. Escrevi cinco histórias, das quais três publicadas no jornal. As outras duas não tiveram a mesma sorte porque A Tribuna foi vendida no final de 2011 para o grupo da Gazeta do Povo que achou melhor mudar a linha editorial do jornal popular para tentar atrair leitores de classe média e em consequência anunciantes. O que me levou a publicá-las em livro em 2013, atendendo a sugestões de leitores. Em seguida, publiquei em livro em 2014 e 2015, as três histórias que também saíram na Tribuna.

Foi o que sempre desejei fazer com as histórias de Crimes de Paixão, a série sobre crimes passionais que a Tribuna publicou em 2012. A primeira tentativa foi ainda em 2012, em edição do jornal. A mudança de foco à qual me referi inviabilizou a iniciativa. Em 2017 voltei a pensar no assunto, mas não consegui publicar. E neste ano, apesar da pandemia, acredito que finalmente vou publicar as histórias de Crimes de Paixão. Originalmente eram dezoito. Estão saindo quinze, que foram reescritas. E mais duas histórias que escrevi também para a Tribuna em 2015 e outras para a coluna de crônicas Pelas ruas da cidade.

Crimes de Paixão originalmente era uma série de crimes passionais em Curitiba e arredores, embora uma das histórias tenha ocorrido em Itapoá, litoral de Santa Catarina, próximo ao Paraná. O leitor da Tribuna ficou fascinado com a história real da professora que fez picadinho do amante e levou-o ao forno para depois distribuir assado para os cães da cidade. A curiosidade patológica que transforma cada leitor num mixoscopista não resistia a histórias de maridos que matavam mulheres e mulheres que matavam maridos. E garantia o sucesso do jornal entre as camadas populares da cidade.

A escolha dos casos foi trabalhosa porque se procurou não repetir crimes com as mesmas características para evitar que a série ficasse reincidente e cansativa. E depois que os primeiros casos foram publicados se constatou que ela atingiu o objetivo de seduzir o leitor do jornal. E quando terminou apareceram sugestões para publicá-la em livro. No entanto, preferi migrar os casos para o território da ficção. Esta é a história de meu novo livro, A loirinha do Charlton Hotel. A última das vinte e uma histórias do livro é O Estigma de Judy Garland, uma longa novela que não foi publicada pela Tribuna, mas como pequeno romance no formato digital.

 

Written by edilsonpereira